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VINHO DE COLARES UMA OBRA DE ARTE

Vinho de Colares Uma Obra de Arte


Colares, região vinícola demarcada no Conselho de Sintra, pertinho da capital Lisboa, com seu terroir extremo e seus vinhos um tanto esquecidos vai, além de colaborar com o exemplo de terroir extremo, iniciar a série: Por que não este vinho?

Em Colares tudo conspira contra a uva. Um estrada em sentido contrário ao que se em mente sobre uvas e vinhedos.

São vinhos raros e desprezados em detrimento aos famosos Portos e Madeiras. Mas, podem ter certeza, a luta do homem contra a natureza deu e dá muito resultado.

Vinhas plantadas sem porta enxerto, diretamente no solo e livres, desde sempre da filoxera. Um pulgão que destruiu vinhedos mundo a fora.

A chamada Filoxera é uma praga que ataca as raízes e folhas de um vinhedo. Detectada nos Estados Unidos no ano de 1854. Uma espécie de pulgão alimenta-se das raízes da videira abrindo espaços que serão preenchidos por fungos matando-a em três a quatro anos a planta.

Levada para a Europa rapidamente dizimou videiras centenárias pondo em pânico regiões produtoras como o Douro, Bordeaux, Provence, Borgonha e outras. Alterando profundamente o mapa do vinho durante 50 anos. Franceses, os mais afetados foram obrigados a transferir seus vinhedos para outros locais da Europa, como a Espanha.

Descobriu-se, mais tarde que nem todas as videiras eram atacadas pelo Pulgão. As videiras americanas eram fortemente resistentes, mesmo que o ciclo começasse não terminava. E as videiras europeias de Vittis Vinifera as mais afetadas.

O solo também tem muita importância. Solos francamente arenosos não permitiam que a Filoxera se instalasse. Os vinhedos ali localizados nunca foram afetados, como Colares, entre a Serra de Sintra e o Atlântico, em chão de areia, por exemplo, nunca foi afetada pela Filoxera.

Daí o mundo vitivinícola inicia a usar as videiras americanas, resistentes ao pulgão, como enxerto.

Casos raros no mundo são como as vinhas de Colares.

Mas não é só.

Imaginem ventos muito fortes o ano inteiro, forte influência marítima, sal e pouco sol em razão das névoas e umidade. Sabe-se que as uvas não gostam de nenhuma destas adversidades.

Condições para uvas brancas, mas quem reina é uma casta tinta, a Ramisco.

Seu solo preferido, areia de praia. Sim, mas sabe-se que a videira é uma trepadeira, portanto precisa de um encosto para se desenvolver, senão saí por aí espalhando-se no chão.

Então cava-se em torno de 10 metros em solo arenoso e argiloso para colocar as estacas que servirão de apoio ao caule da videira. Para então esta poder desenvolver-se.

Mais cada cacho é elevado do chão com uma espécie de canudinho para que não fique em contato direto com o solo quente. Um trabalho de paciência oriental e para poucos.

Por isto, há as uvas nativas chamadas de Ramisco (tinta) e Malvasia de Colares (branca) plantadas em solo franco e pré-filoxera. São protegidas dos fortes ventos por proteções de tela de palha de cana.

 A Ramisco é uma uva muito ácida e tânica, e, por isto precisa de muitos anos de garrafas e tonéis, algo em torno de uma década para arredondar.

Em Colares os vinhos tranquilos desta casta passam 4 anos entre tonéis e barricas para chegar a garrafa. Mas, deve-se ainda guardá-los por mais 10 anos. Nas notas dos produtores ele deve ser consumido entre 5 e 20 anos.

E por que não este? Vamos apreciar algo novo para nós.

 

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