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TINTA NEGRA MOLE A RAINHA DA ILHA DA MADEIRA

Tinta Negra Mole a Rainha da Ilha da Madeira


Em época pós filoxera havia dúvidas entre os produtores de qual uva deveria ser a uva mestra na região. Para tanto, deveria ser resistente aos fungos e doenças advindas da alta umidade do terroir.

A escolhida foi a Tinta Negra Mole que tem este nome, exatamente, pelas razões que se lê. É tinta, casca negra e mole, no sentido de macia, eis que é filha da Pinot Noir, como veremos, portanto, baixo índice de taninos e estes, quando presentes macios. Outros sinônimos são utilizados, como Tinta Mole e Tinta da Madeira.

Prolífica e resistente a doenças logo tomou conta dos vinhedos. E era usada em elevado percentual mesmo naqueles licorosos que estampavam outros varietais no rótulo, como a Sercial, Boal e assim vai.

Novas legislações na década de 90 terminaram pondo fim a esta prática. Hoje somente podem destacar o varietal no rótulo de o vinho o contém em mais de 85%.

Outro ponto a destacar é que ela, na verdade, é cruzamento da Pinot Noir com a Grenache e na Espanha atende pelo nome de Negramol na Canárias.

O que nos interessa, neste ponto é sua versatilidade, qualidade e quantidade, sendo, portanto, uma uva ícone da Madeira e responsável pelos seus licorosos vinhos terem sucesso pelo mundo.

Utilizada nos licorosos mais populares da ilha como os de estufagem onde são produzidos os mais simples e corriqueiros, aqueles elaborados com a Tinta Negra. Aqui, se qualquer outro vinho fosse elaborado com esta técnica seria um desastre total. O vinho depois de terminado seu processo de elaboração é colocado para “cozinhar” ou estufar.

Tem tempo que se sabe que estes vinhos melhoram com o calor. Os chamados torna-viagem aqueles que iam para locais distante de navios, do tempo das viagens marítimas e quando os que não eram vendidos voltavam verificava-se que estavam muito melhores, eis que submetidos ao calor e abafamento dos porões.

Daí o desenvolvimento desta técnica. Hoje utilizam-se tanques de inox com controle de temperatura para simular as mesmas condições. Em ambiente redutor de oxigênio o vinho é aquecido e durante o tempo certo sofrerá redução e oxidação nos trazendo a maravilha que é este vinho.

 

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