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CHAMPAGNE UM CLÁSSICO DO MUNDO DO VINHO

Champagne Um Clássico do Mundo do Vinho


A Abadia, do latim Abattia deriva do aramaico Abba (Pai), eram verdadeiros oásis na selva que era a vida fora dos burgos e das áreas controladas pela Igreja.

Igrejas antigas estão espalhadas por toda a região de Champagne.

Nos Mosteiros, Conventos e Abadias a vida seguia em segurança, algo como um condomínio fechado, se assim posso comparar, onde se desenvolvia a gastronomia, a cultura e, claro, o vinho.

Diz à lenda que o Monge Dom Perignon descobriu o método arcaico do Champenoise a fermentação na fermentação na garrafa.

Mas há controvérsias, Limoux, região ao sul da França, nas encostas dos Midi-Pirineus, já elaboravam o espumante muito antes de Dom Perignon.

Séculos se passaram até o perfeito controle da segunda fermentação nas garrafas.

Antes eram produzidos vinhos tintos, ao melhor estilo da vizinha Borgonha. Ao melhor estilo de contrariar um terroir estes vinhos eram elaborados com uvas não perfeitamente maduras, ou mesmo maduras, que mantinham, pela ausência de insolação correta muita acidez.

Acidez combate-se com açúcar. Assim, nestes vinhos eram adicionados açúcar exógeno, muito provavelmente de beterraba. Açúcar mais leveduras e um certo calor leva a mais uma tomada de fermentação.

Lembrando que fermentação é o trabalho da autólise das leveduras que se alimentam de açúcar gerando álcool, aromas e Co2. Por diversas vezes o frio adormece a levedura estancando o processo fermentativo. Sem o saber estes vinhos adocicados com reservas de leveduras eram comercializados.

Ao acordarem com temperaturas mais adequadas, as leveduras reiniciavam o seu trabalho liberando Co2 que acabariam por estourar as garrafas.

Mais tarde, bem mais tarde com o estudo de Louis Pasteur sobre as leveduras é que começa o Champagne como o entendemos, hoje.

Enquanto isto teríamos rudimentos de Champagne.

Das Abadias ao glamour. Bem, na época a ligação entre Igreja e Monarquia era muito próxima que o diga o Rei Sol, Luis XIV, o Champagne logo ganhou os salões e se tornou sinônimo de vinho cheio de glamour.

Lembrando que Paris fica a pouco mais de uma centena de quilômetros da região de Champagne.

DO REGISTRO DA MARCA

Ainda muitos chamam qualquer vinho espumante de Champagne. Errado. A região do Champagne depois de uma guerra nos tribunais conseguiu o registro mundial do nome. Portanto, todo o vinho espumante produzido na região administrativa de Champagne é um Champagne e pode assim ostentar no rótulo.

O contrário não é verdadeiro.

COMO É ELABORADO

Mas o Champagne, como todos os vinhos espumantes, é, antes de tudo, um vinho que sofreu uma segunda fermentação na garrafa. Entendendo-se o vinho como o meio do caminho entre o suco e o vinagre.

O vinho base, aquele que sofrerá a segunda fermentação para a elaboração de  espumantes (o Champagne é um espumante) deve ser mais ácido que o normal.

As regiões frias, com pouca insolação no verão, portanto, menos açúcar da uva, são as ideias para o cultivo do vinho base. No caso do Champagne são usadas duas castas tintas e uma branca, Pinot Noir, Pinot Meunier (tintas) e a Chardonnay. Após a fermentação normal o vinho vai para a garrafa onde ocorre a segunda fermentação, através do trabalho de leveduras especiais que se alimentam dos açúcares e os transformam em álcool, aromas e Co2, as inefáveis bolinhas (perlage).

Os aromas do Champagne são muito difíceis de serem detectados o vinho base sendo mais ácido é pouco aromático, além da agulha na ponta do nariz vindo do estouro das bolinhas e do Co2. Uma dica é servir em taças normais de vinho branco, o maior contato do vinho com o oxigênio libera mais rapidamente o Co2 e ai podemos sentir os aromas do Champagne.

Por último o Champagne Vintage é elaborado em ocasiões especiais quando a safra é da mais alta qualidade e sem cortes, isto é o Champagne é feito com esta safra especial. Normalmente o vinho base é um corte das melhores safras de cada casta.

 REGIÃO DE CHAMPAGNE - SEUS SEGREDOS

Já visto que o vinho base do espumante vem de regiões mais frias, com verão menos ensolarado e de curta duração. Também de onde se originou o Champagne e seu glamour. Mas o que especificamente a Champagne (Região Administrativa-Estado- francês) tem de tão especial. Só frio nos dias de maturação do fruto não é afinal a região alemã do Mosela estão situados mais ao norte.

Perto de Paris algo como 150 quilômetros, de carro pouco mais que duas horas, a abençoada região de Champagne tem no solo o seu diferencial.

Diferentemente da outros locais o solo aqui é composto de giz.

A região é muito chuvosa e os vinhedos estão plantados, em geral no plano, como fazer com o excesso de água? O giz absorve grande parte desta água mantendo a sanidade da videira. As raízes da videira, quando necessário podem descer 8 metros ou mais a procura de alimento. Mas se tivermos excesso de matéria orgânica na superfície ou mesmo ausência de necessidade da raiz descer há um problema, pois elas passam a crescer para os lados impedindo o correto desenvolvimento da planta. E solos muito úmidos são solos ricos em matéria orgânica.

O verão é época de pouca chuva, como fazer para “molhar” o solo? O mesmo giz que absorveu a água agora a devolve, lentamente, para a videira.

Nos dias de verão, o giz (calcário) reflete a luz do dia aumentando, nos momentos necessários, a quantidade de sol que a uva precisa.

Aí estão as diferenças e aí está o segredo da região de Champagne.

Importante destacar, também, são os mais variados microclimas da região, principalmente, em razão da altura em que os vinhedos são plantados. Já visto que a altura exerce forte influência no desenvolvimento final da uva. Plantadas mais ao alto o amadurecimento final é mais lento o que gera muita diferença no vinho a ser produzido.

Por fim vêm décadas de experiência na produção destes vinhos, desde a videira até a garrafa o que traz um diferencial muito grande.

Cuidado. Muitos têm em mente que espumante é um vinho cheio de bolinhas, quase um vulcão dentro da taça. Ledo engano. Uma das características de um bom espumante é o delicado colar de pérolas formado pelas bolinhas. Elas devem ser diminutas e com espaçamento constante. Assim a segunda fermentação foi bem executada e o Co2 está perfeitamente amalgamado com o líquido.

No Champagne é semelhante. Temos a noção de que Champagne bom é aquele que a taça entra em ebulição de tantas borbulhas. Não é assim. Quando jovens mais bolinhas, mas quanto mais velha for, por óbvio esta explosão de bolhas vai embora, mas em compensação estamos à frente de uma verdadeira joia engarrafada.

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